

Vô Zeca sempre foi um avô muito especial para todos os netos. Carinhoso, cuidadoso, todos gostavam de ouvir suas histórias na hora de dormir. Quando juntavam todos os netos na sua casa era uma festa só. Lembro que ele trabalhava na Purina e eu ia muito lá ficar com ele, por isso quando sinto o cheiro de ração me vem a lembrança dele. Gostava de tocar sanfona quando a família se reunia para comemorações no quintal da sua casa. Também tocava órgão na igreja católica, era músico autodidata. Sempre brincava com os netos e passeava comigo todos os domingos, pois eu dormia quase todos os finais de semana na sua casa para podermos passear no domingo. Lembro de sentar na barriga dele para dirigir seu fusca vermelho e irmos para Ibatiba, na casa da minha tia. Me recordo dele me ensinando andar de bicicleta na casa dessa tia, numa rua de chão, primeiro com as duas rodinhas, depois com uma e por fim, sem nada. Os tombos eram inevitáveis, mas foi a partir daí que consegui andar sozinha. Foi um avô muito presente em minha vida.
Vó Ana, assim como os netos a chamam, é minha única avó viva. Mora pertinho da minha casa e estamos presentes nos domingos, sempre que podemos, onde reúne a família para comemorar os aniversários e dia das mães, entre outros. Minha avó sempre trabalhou como costureira, por isso lembro muito de seu quartinho de costura abarrotado de panos, linhas, retalhos, carretéis... Enquanto ela costurava suas encomendas eu fazia roupa para minhas bonecas. Lembro também das aulas de corte e costura que ela dava. Agora cuida da sua casa e faz pequenos consertos em algumas roupas.

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